
theme por nightforsummer; base por stupefys, com alguns detalhes retirados dos themes da memorias-agridoces.

Talvez eu tenha medo demais, e isso chama-se covardia. Fico me perdendo em páginas de diário, em pensamentos e temores, e o tempo vai passando. Covardia é uma palavra feia. Receio de enfrentar a vida cara a cara. — Caio Fernando Abreu

Não quero lembrar. Faz mal lembrar das coisas que se foram e não voltam. (…) Agora já passou. Não sinto raiva, não sinto nada. Sinto saudade, de vez em quando. Quando penso que podia ter sido diferente. — Caio Fernando Abreu

Não fizeram planos. Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (…) Talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem juntos para Paris, por exemplo, Praga, Pittsburg ou Creta. Talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada. Porque era cedo demais e nunca tarde. — Caio Fernando Abreu

Tudo o que o homem faz em seu mundo simbólico é procurar negar e superar sua sorte grotesca. Literalmente entrega-se a um esquecimento cego através de jogos sociais, truques psicológicos, preocupações pessoais tão distantes da realidade de sua condição que são formas de loucura, loucura assumida, loucura compartilhada, loucura disfarçada e dignificada, mas de qualquer maneira loucura. — Caio Fernando Abreu

Neste momento, estou todo arrepiado e com muita vontade de chorar. É como se ouvisse outra vez, escondido em meu quarto, com o cheiro forte de um jasmineiro ali embaixo, os discos de música erudita que você ouvia muito alto. Tudo isso me toma agora de novo e é tão mágico que quero agradecer a você a lembrança , tão remota e ao mesmo tempo tão dilaceradamente viva. — Caio Fernando Abreu.

Nos misturamos confusos, sem nos olhar nos olhos. Evitamos nos encarar por que sentimos vergonha ou piedade ou uma compreensão sangrenta do que somos e do que tudo é? Mas, quando os olhos de um esbarram nos olhos do outro, são de criança assustada esses olhos. Cão batido, rabo entre as pernas. Mastigamos em silêncio as chicotadas sobre nossas costas. E os corações de vidro pintado estalam ainda mais alto que as ondas quebrando contra as pedras. — Caio Fernando Abreu.

Mania de esperar que as coisas sejam dum jeito determinado, por isso a gente se decepciona e sofre. — Caio Fernando Abreu
(Fuente: fe-orar-e-amar, vía skateandhope)